Cuidados com a pele dos bebês

Você sabia que a pele do bebê é 40 a 60 % mais fina, tem menos pelos e é muito mais frágil que a pele de um adulto (a conexão entre as células da pele é mais frouxa)? Ela é também ligeiramente mais ácida e suas defesas ainda não estão totalmente maduras, especialmente até os primeiros 30 dias de vida. Tais características pedem cuidado redobrado, já que algumas alterações não saudáveis podem ocorrer com maior frequência nesta fase. Conversamos sobre o assunto com a dermatologista Roberta Vasconcelos. Ela primeiro aponta os principais problemas da idade e, depois, nos conta como evitá-los.
Maior perda de água, gerando uma pele mais ressecada. Isto ocorre quando são usados sabonetes comuns, que são muito agressivos para uma pele tão delicada.

Maior absorção de cremes, por ser mais fina e ter uma área de exposição maior, alguns princípios ativos existentes em cremes, que não fariam mal aos adultos, podem ser absorvidos e causar efeitos tóxicos

Maior sensibilidade (reações alérgicas) a cremes ou pomadas. Há cremes e formulações direcionadas especificamente para os bebês. Elas são mais suaves e normalmente não tem muita fragrância ou corantes.
Como deve ser o banho (a frequência, duração)?
A água quente e o uso excessivo de sabonetes e buchas remove a oleosidade natural da pele. Como ela é mais sensível, estes agressores acabam ressecando-a ainda mais. O ideal é que o banho seja dado com água morna, uma vez ao dia, com sabonete específico para bebês. Não se deve usar nada abrasivo, como buchas ou esfoliantes. Os bebês que tiverem pele ressecada (este diagnóstico é feito pelo pediatra ou pelo dermatologista) devem receber uma aplicação de hidratantes específicos para a faixa etária após o banho.
Quais produtos cosméticos são contraindicados?
Existem substâncias que não devem estar na formula dos cremes, pois podem penetrar na pele em grande quantidade, causando efeitos tóxicos. São elas:

  • ácido bórico (presente em talcos)
  • ácido salicílico (presente em alguns cremes de tratamento dermatológico)
  • álcool isopropílico (presente em antissepticos)
  • Hexaclorofeno (presente em antissepticos)
  • Resorcina (presente em antissepticos)
  • Uréia (presente em alguns cremes de tratamento dermatológico)

Após os 6 meses de idade a pele começa a amadurecer, mas os produtos acima só devem ser usados se indicados por um médico.

O protetor solar é contraindicado até os seis meses?
Sim, este cuidado evita que os princípios ativos do protetor penetrem na pele do bebê. É recomedável proteger os bebês do sol com uso de roupas leves e chapéus e, claro, evitar exposição ao sol nos horários de pico.

Como evitar e lidar com as assaduras?
As assaduras acontecem por irritação a partir do contato com as fezes ou urina do bebê. Para evitá-las, troque a fralda do bebê o quanto antes. Quanto maior o tempo de contato, mais assaduras. Após a limpeza, deve-se aplicar uma camada de creme protetor contra assadura, que normalmente são à base de óxido de zinco ou vaselina e formam uma barreira entre a pele e a urina. Se mesmo com os cuidados a assadura permanecer, o ideal é procurar o pediatra ou o dermatologista, pois existem outras causas, como a candidíase (um tipo de micose) ou mesmo alergia a algum creme, à fralda ou aos lenços umedecidos.

Como evitar e lidar com brotoejas?
As brotoejas, ou miliária acontecem porque as glândulas sudoríparas do bebê, que ainda são imaturas, ficam obstruídas e o suor fica preso na pele. Ela costuma acontecer mais no verão, em países quentes como o Brasil. Para evitá-las, é importante deixar o bebê bem fresquinho nos dias mais quentes, evitando agasalhos. Quando surgem os primeiros sinais de brotoeja, uma prevenção simples é aplicar um pouco de amido de milho (Maizena) nas áreas de dobras do bebê, como pescoço, axilas e dobras da perna. Isto evita a irritação causada pelo suor. Caso as medidas não funcionem, a saída é procurar o pediatra ou o dermatologista.

Quais cuidados/ações garantem manter a temperatura ideal no corpo do bebê?
As mães, principalmente as de primeira viagem, costumam exagerar um pouco no número de casacos que colocam no bebê. No Brasil, principalmente em dias quentes, isto pode ser um problema, pois o bebê acaba ficando muito aquecido e desconfortável. Recomendo que a mãe sempre observe a roupa que ela própria está usando. O bebê deve usar apenas uma camada a mais que ela. Então, no dia em que ela estiver com uma blusa sem manga, o bebê deve usar manga curta. Quando ela estiver com manga curta, o bebê usa manga longa. E assim por diante…

Relações profissionais

Dra. Roberta Vasconcelos

dermainforma.com.br

(11) 3171-1901

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